27 de abr. de 2025

Minha playlist:

Swett home Alabama-Lynyrd Skynyrd

Last Hope-Paramore

Happie-Marshmello ft Bastille

Paradise-Coldplay

Lost-Black Veil Brides

Lego House-Ed Sheeran


 Querida Anne...

escrevo antes que o momento se vá, das memórias se confundirem ou da vontade de escrever passar. Ainda depressiva, mas uma depressiva funcional, afinal o mundo não vai parar porque não estou bem não é mesmo?. Começou com uma dificuldade de aceitar a maternidade atípica, de sair de casa e encarar a realidade essa semana. Muitas vezes ela dói em mim de forma profunda, quando não estou bem o suficiente para erguer um muro bem alto entre o que eu sinto e o que é preciso ser feito, quando não estou bem o suficiente para separar minhas dores, das dores de ser mãe atípica. Elas precisam ficar separadas, pois juntas se tornam um caos, mas as vezes como foi dito, elas não ficam.

Aqui é meu lugar seguro querida Anne, aqui não preciso esconder o que realmente sinto, o que realmente penso,minha família pode tentar compreender a minha maternidade, mas a verdade é que eles nunca saberão como ela afetou meu psicológico de verdade, como o meu corpo age e responde diante das situações. Eles veêm, mas não sentem, afinal o corpo é meu, as memórias são só minhas.  E mesmo que eu falasse e explicasse, a interpretação seria deles, baseado nas vivências deles, no que eles têm de comparativo. 

Eles nunca entenderão como que é ter dores físicas causadas pelas mentais, nunca sentirão o que sinto como mãe diante de toda fala, de todo olhar, diante de toda rejeição, porque o cérebro ferrado que interpreta tudo errado não é o deles. O sorriso sempre foi o meu maior escudo, e como você disse naquele 20 de junho de 1942 "a mais ninguém  pode interessar o que vou escrever. E pronto!".Nunca foi e nunca será culpa do meu filho o que me tornei. Espero de verdade que quando ele crescer ele entenda isso, que por ele eu faria o que fosse preciso novamente. 

Mas hoje não é sobre mim e meu filho. Como eu disse, começou com as dificuldades da minha maternidade atípica,misturada com meus problemas físicos essa semana, até eu chegar na falta de ter alguém para conversar sobre o que sinto as vezes em relação a minha familia e como isso afeta como situações são vistas e interpretadas por mim e pelas pessoas. Acho que não vou conseguir descrever muito sobre isso hoje, ainda estou tentando entender o que sinto em relação a isto. Talvez eu até saiba, mas meu inconciente esteja procurando uma forma de expressar.

Sua Lizz





23 de abr. de 2025

 Querida Anne...

as coisas não estão legais comigo, uma mistura do físico e mental descontrolado, resultando na chegada dos dias de incomodo(como você costuma dizer), no reaparecimento nível hard da minha dermatite/não dermatite(complexo pra explicar assim).E ao contrário de você, "apesar das contrariedades e mal-estar, eu não me sinto contente". Estou depressiva!

Me sinto triste, vazia e sozinha. Com dificuldade de escrever de forma poética devido ao cansaço extremo do meu corpo(provavelmente baixa hormonal), sem vontade de escrever, mas com necessidade de anotar para não esquecer ou misturar os eventos de ontem e hoje. Eles vão acabar se misturando, eu sei, pois já começou a enuviar minha mente.

22 de abr. de 2025

  Querida Anne...

quando penso em diários eu só consigo lembrar da última página escrita do seu e o quanto eu me identifico com as coisas que escreveu ali sobre você. Não que eu não tenha me sentido tocada com o restante do seu diário, na verdade você sempre foi minha inspiração neste quesito, mas naquele 1° de agosto de 1944 você se descreveu como um feixe de contradições, uma pessoa dividida em duas: uma Anne petulante, despreocupada, rasa, e a Anne profunda, quieta e boazinha.

Você escreveu..." Então a Anne boazinha nunca é vista quando tem companhia. Ela nunca fez uma única aparição, embora quase sempre suba ao palco quando estou sozinha. Eu sei exatamente como eu gostaria de ser, como eu sou... por dentro. Mas infelizmente só sou assim comigo mesma. E talvez seja por isso-não, tenho certeza que é por isso-que eu me considero feliz por dentro e outras pessoas pensam que sou feliz por fora."

Também sou uma contradição, assim como você existe mais de uma versão de mim, algumas vezes até mais de duas arrisco dizer. Talvez a Anne de fora não seja tão parecida comigo em alguns quesitos, mas assim como a Anne de dentro, existe uma Lizz tão profunda e oculta quanto, e é esta que se perde muitas vezes por conta das suas versões exteriores. Eu não quero que ela se perca querida Anne... as outras Lizz vêm ganhando espaço cada dia mais, sufocando e apagando aquela Lizz que pouco se revelou, ou quase nada ao longo de minha vida.

Ela já não não quer mais subir ao palco e estar sob holofotes tanto assim, minhas outras versões, a sociedade e a vida não permitem mais também, mas eu ainda preciso dela, da verdadeira Lizz pra me guiar, porque sem ela eu sou um caos mesmo que não venha a transparecer por fora algumas vezes, sem ela eu me sinto perdida e sozinha, porque sem ela eu me sinto um ninguém.

Pensando nisto escrevo aqui novamente, pra dar voz , pra registrar, monitorar a Lizz de dentro, pra que mesmo se um dia ela venha a se perder eu saiba encontrá-la. Acredite, eu gostaria que essa Lizz tivesse se sobressaído ao invés de ter se limitado dia após dia. Quando o mundo diz "Está vendo? Olha o que você se tornou", é ela que grita e dilacera meu coração, como quem diz "Eu ainda estou aqui". É a Lizz boazinha que me salva de mim mesma, mas também é minha criptonita, 

A ela peço perdão por tê-la diminuído a um tamanho insignificante. E a você querida Anne obrigada por me ouvir.

Sua Lizz